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Arte para quê?

Para fugir do tédio. Para que a indiferença não nos engula.

Para experimentar a magia e o mistério. Para não morrer do que acreditamos que seja a realidade. Para nela – realidade, experimentar o plausível. E ao invés de espiar o que há de reto, único e objetivo, suplantarmos a urgente necessidade de a tudo classificar e ordenar. Para buscarmos através do discurso da arte o entendimento e aprendermos a ver como se tudo víssemos pela primeira vez, nos permitindo então viver o encantamento da descoberta.  

É para isso que a arte serve: infringir a realidade. Para desvendar as camadas do real. Para nos libertar dos grilhões que nos aprisionam ao corriqueiro, ao superficial. Para nos afastar do conveniente propósito de tomar o banal como certo e medida para tudo. Que, se alguma certeza se deva ter, seja apenas a convicção de que em nada há um absoluto. A arte serve para encontrar o entendimento de que o significado dos objetos à nossa volta não está no que e para que eles servem, mas no que eles nos transformam, e como redimensionam a nossa apreensão do mundo. Pois, assim como nos os olhamos, eles – os objetos, nos olham, nos humanizam, nos desafiam, porque desordenam a compreensão que deles temos.

Melhor poderia dizer sobre esta reflexão o pintor Paul Klee: “O objeto, diz expande-se além dos limites da sua aparência pelo conhecimento que temos de que ele significa mais do que o que vemos exteriormente, com nossos olhos”.  E para entender qual a relação do que nos cerca com o papel da arte, basta a breve colocação de Klee: “A arte não existe para produzir o visível, e sim para tornar visível o que está além”... porque a arte serve para abrir sendas... descortinar novos cenários.

Se, de tudo que foi dito, ainda não seria o suficiente para encontrar a resposta para a pergunta: para que serve a arte, escolheria as palavras de Marcel Proust: “para sairmos de nós mesmos”.

É para isso que a arte serve: infringir a realidade

Rosana Marina

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