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Como o design muda nossa relação com o entorno

 

Olho e percebo que o que me toca traz um sentido novo, inesperado e desaloja as convenções bem como o lugar-comum onde deitei meus conceitos. É sempre este o sentimento que me visita quando do encontro com a reflexão sobre a mudança que o design opera na nossa relação com o entorno. Porque transformar é o papel norteador do design na cultura pós-moderna. Não mais a funcionalidade, como o querem as escolas de design. O que há nele de transformador é o intangível, claro, enquanto e quando for concebido como um instrumento passível de criar experiências inovadoras no usuário e ressignificar o cotidiano agregando-lhe, principalmente, estética. Vale aqui citar Patricia Amorim, pois em sua fala encontramos a defesa da importância da estética e da sua linguagem provocativa. Se fácil é anunciar que o design pós-moderno tem liberdade para explorar o seu aspecto estético e a consequente valorização do belo, complexo é por vezes identificar e compreender esta estética, uma vez que ela se apresenta de uma forma não usual.  Irá, elucida Patrícia, se servir da ironia, da citação de diferentes formas do passado e da valorização do banal. E neste ponto vejo a proximidade com a arte. Não no que diz respeito aos desígnios e processos, porque são diferentes, mas no que está em sua essência, e porque produzem um desconforto, obrigando-nos a um novo olhar promovendo a quebra de preceitos. E, a um só tempo, sofrem e exercem influências permitindo nos apropriarmos do que é peculiar e único na nossa cultura: viver o mutável e a tudo explorar com urgência, porque tudo é fugaz... tudo é efêmero.
Resta então entender que a resposta que leva ao entendimento de como o design muda nossa relação com o entorno é cultural e particular. Está circunscrita em como lemos e interpretamos as informações contidas no objeto que nosso olhar examina, implica acima de tudo, não ter em relação ao nosso entorno, uma postura contemplativa e passiva. E assim como acredito no dizer do lusitano M. Rodrigues Lapa, se “(…) numa palavra se podem conter todos os fenómenos da vida...”, os objetos ao nosso entorno podem nos dar uma nova condição de ser e estar no mundo.

 

A resposta que leva ao entendimento de como o design muda nossa relação com o entorno é cultural e particular

Rosana Marina

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