CARREGANDO

Busca

Elogio à dança

A cultura é portadora de um código que diferencia uma nação de outra. Hábitos, costumes, música, dança, o agir e o pensar fazem parte da cultura de um povo, devem ser preservados para que não se perca a singularidade do coletivo.
É neste contexto que vamos encontrar a dança e seu papel na sociedade, enquanto fator de desenvolvimento pessoal e coletivo.
Difícil dizer em palavras o espetáculo que a dança propicia: os movimentos que ganham, em infinitos instantes, a delicadeza que parece ser a própria matéria de que são feitas as nuvens, por outro explodem em frenéticos ritmos, para inesperadamente fazer-nos entrar em júbilo. A dança é verdadeiramente algo que, se nasce de forma sistemática, logo faz com que a alma do bailarino dance livre e espontaneamente com a alma de quem na plateia se deleita.
A dança é a comunhão com o universo: desconhece tempo, a lógica das coisas... e liberta o corpo de todo e qualquer pudor. A dança, define Martha Graham, é a linguagem da alma.
Não sem ração ela faz parte da evolução da humanidade.
Na pré-história apresentava-se com características sagradas, os gestos místicos acompanhavam rituais. Na Grécia a dança ajudava nas lutas e na conquista do corpo. Tornou-se profana na Idade Média. Ressurgiu no Renascimento passando de atividade lúdica e divertimento, para uma forma mais disciplinada, com repertórios de movimentos estilizados. No Romantismo procurou recuperar a harmonia entre o homem e o mundo. Já na dança moderna os movimentos corporais se entregaram ao estudo das possibilidades motoras do corpo humano. Para então conquistar na dança contemporânea, a liberdade: a transmissão de conceitos, de ideias e sentimentos. Somos então convidados a viver, através dos gestos e emoções, a sermos outro que ainda não havíamos experimentado. Podemos experimentar no palco a manifestação da expressividade humana: cultura, crenças e valores que permeiam um determinado grupo social ou povo. Dança é pele, é respiração, é diálogo cujo encantamento é sempre descobrir o próximo movimento e decifrar-lhe o sentido, pois no dizer de Augusto Branco “Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança, mas a paixão que vai na alma de quem dança”.

Rosana Marina

Últimas colunas