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Reflexões sobre a cultura

O espaço que uma comunidade oferece à cultura a define, a constrói... a diferencia. Tudo que tem significado, que fala do homem e tem conteúdo excede o local, porque a cultura é uma língua universal.

O respeito pela cultura alimenta os hábitos, as crenças e os costumes. É a partir da ancestralidade que construímos o hoje e transmitimos os valores às gerações que se sucedem. Certo é afirmar que as manifestações culturais representam o conhecimento expressando o inexprimível.

É característica da cultura colocar-nos em contato através da música, do ato de cozinhar, do gesto que risca o palco, das cores linhas e formas, com o que está atrás do mundo físico e que vive no psique. Revelando a vida que existe além da aparência das cosias, dos fatos, dos eventos. Toda manifestação cultural é expressão simbólica de um mundo inconsciente. É nesta peculiaridade, que reside sua beleza e poesia. É esse quase alcance do entendimento, que desafia e traduz o encantamento da cultura.

A cultura nos ensina a ver o cotidiano, apreender os gostos, os sons, os cheiros, mais e ainda, a entender que o que diz respeito ao homem e sua produção não cabem nos ditames das regras que a tudo quer nomear e classificar. Melhor pode-se compreender a dimensão das manifestações culturais nas palavras de Rilke “A linguagem dos homens me assusta, pois ao dizer isto é um cachorro, isto é uma casa, mata o que nomeia”.

A cultura nos põe verdadeiramente em contato com a materialidade das coisas, com o que vive e pulsa ao nosso entorno. “O mundo, nos ensina Santo Agostinho, é de tal forma que nos parece feito de coisas que não aparecem de modo algum”

Pois bem, mas qual o papel da cidade em relação à cultura? À cidade, é pertinente dizer, lhe cabe oferecer espaço e condições a fim de que a cultura possa articular a transformação do movimento. Entenda-se que a função da cultura vai bem além de ofertar entretenimento e catarse. Isto se, e conquanto, ela for vista e orientada como promotora de ações que colocam o homem em contato consigo para gerar questionamentos e reflexões: para o colocar em contato com o discernimento que tem de si e sobre os pensamentos que ainda não tocam!

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Rosana Marina

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