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Tramas e texturas

A materialidade das coisas - as tramas são como as expectativas que nascem ao logo da vida: trazem sempre algo surpreendente. Mas o bom de viver não é a surpresa? O inusitado? Tudo que foge do previsto? Assim nascem as tramas: do desafio de dominar a ansiedade, da habilidade para manipular a matéria e de ceder, quando necessário, para compreender- lhe a natureza, esta, sempre soberana.

Às tramas há de se sentir e olhar com sensibilidade, acariciar-lhe a textura, buscando entender como se comporta, e aceitar que o resultado há de ser sempre diferente e diferenciado porque neste jogo a regra é a não regra. Premente, apenas o sentimento, a delicadeza em determinados momentos... a pressão em outros. Tudo se revela para quem está disposto a decifrar e ler este código que é tecido por mãos, que enquanto tecem, revestem cada trama com a sua própria essência.

Em tudo que vive e pulsa a vida há uma intrincada contextura que se deixa cortar para nascer inteira. 

Quando se busca a compreensão de como nascem as coisas, de imediato nos deparamos com o entendimento que esta experiência alcança bem mais do que o nosso olhar pode reconhecer e catalogar. Urgente, neste jogo, cuja compreensão da materialidade nos foge sempre que estamos próximo de desvendá-la, é a capacidade de aceitar o desafio que em tudo há algo que transcende ao óbvio, ao genérico. E, mais surpreendente, é encontrar o inusitado onde nosso entendimento ainda não havia visitado. Um ensinamento partilhado por Kandinsky “Tudo que está morto palpita. Não apenas o que pertence à poesia, às estrelas, à lua, aos bosques e às flores, mas também um simples botão branco de calça a cintilar na lama da rua... Tudo possui uma alma secreta, que se cala mais do que fala”.

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Rosana Marina

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